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O que os nossos filhos vão ser?

question-mark-1460071938ehfMesmo antes de se ter filhos, é normal desejar algo para o futuro deles quando se imagina tê-los. Os pais (ou futuros) fazem isso nas melhores intenções, baseados em seus sonhos, crenças, idealizações ou até mesmo, frustrações. É inevitável, quando se educa e cria uma criança que depende de você para tudo, oferecer um direcionamento que naturalmente irá configurar várias direções na vida dele(a).
Comigo foi assim também, meus pais sempre cuidadosos com minha educação (formação) eram bastante preocupados com os estudos e também incentivavam no esporte. Eu morava em frente a um SESI, onde fazia natação e judô. A natação era mais diversão, já no judô, eu era bom o suficiente para ser convidado a ir treinar em uma academia dedicada ao esporte, mas após uma mudança de bairro, lembro que eu não fui mais. Quando mais velho perguntei a minha mãe sobre a minha saída, já que existia um potencial, ela me disse que eu não queria mais ir e por isso parei. Isto não me incomoda, mas me questiono o que seria de mim hoje, se meus pais tivessem insistido que eu continuasse…  talvez eu já até pudesse ter representado o Brasil em uma Olimpíada, rs!  Conheço a história de alguns talentos que não progrediram no que eram bons exatamente por falta de um apoio, seja financeiro ou da presença e insistência de alguém.
Algumas coisas nos foram impostas, outras, orientadas. Tatuagem é um exemplo clássico da minha época “-nem pensar enquanto morar aqui em casa” ou também “-causa má impressão na hora de arrumar emprego”. Cada casa é um caso, com certeza quem está lendo este texto vai se lembrar de algo que algum familiar ou responsável falava como imposição ou conselho.
Outra coisa que fez bastante diferença influenciando muito o meu desenvolver, é o fato de ter morado numa cidade de interior, como Volta Redonda, onde nasci e cresci. Me lembro que na época da faculdade, lá mesmo em Volta Redonda, eu já falava que iria “trabalhar fora” e morar fora do país, o que pode ser muito normal para quem vive em uma capital, mas a maioria das pessoas com quem eu convivia, não compartilhavam do mesmo interesse. Não acho que era somente uma falta de vontade, mas porque simplesmente aquilo não fazia parte do nosso “mundo”. Outro exemplo de cidade de interior é a falta de incentivo para seguir uma carreira artística ou mais alternativa, dificilmente os pais incentivam os filhos a seguir um caminho muito fora do padrão de um emprego fixo com carteira assinada.
Enfim, muitos questionamentos para nós pais e mães na hora de direcionar o caminho dos nossos filhos. O que quero que o Tom seja? O que vou impor ou orientar? Algumas coisas não temos como evitar e terão que ser feitas até uma certa idade, mas o máximo que puder, quero mostrá-lo um leque de opções diante dos seus desejos e incentivá-lo  para  que ele possa tomar suas decisões para escolher seus caminhos. Tenho certeza que o que vai fazer a diferença pra ele, é saber que os seus pais estarão ali para ajudá-lo a entender e apoiar suas decisões.

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Adaptação

Fonte: Espira

Fonte: Espira

Eu considero que o nosso processo de adaptação na creche começou quando a gente foi à primeira reunião. Nesse dia nos apresentaram de uma forma geral a estrutura da creche e o seu funcionamento básico, coisas do tipo: as crianças menores ficam no primeiro andar, aonde fica a cozinha, uma vista rápida das salas temáticas etc. Mas também nesse dia a ida do Gael para creche se materializou um pouco mais para mim. Eu confesso que fiquei animado com a estrutura mas também um pouco assustado de deixar o Gael num ambiente “estranho” sabendo que ele não falava e só se deslocava engatinhando. Ficava pensando que era muito cedo e que ele tinha que estar pelo menos andando. Enfim, coisas de pai de primeira viagem.

Após essa reunião o Gael recebeu um email muito bonitinho da “sala” dele. Foi muito legal pois era como se a “sala” estivesse convidando o Gael para se juntar à turminha e a data de início. O problema era que a  data que ele deveria começar era no final de Agosto. Como a nossa licença terminaria no início de agosto, a gente pediu para mudar. Conseguimos mudar para o dia 8 de agosto um dia depois do Gael completar 1 ano e um dia depois da gente voltar do Brasil. Assim que mudamos a data achei ótimo mas quando o dia foi chegando começei a achar meio ruim, porque seria muita coisa nova para o Gael. Viagem para o Brasil, encontra uma galera, volta para Noruega, outro fuso horário, aí nem descansou da viagem já começa a adaptação. Pensei, bom vai ser um pouco mais complicado mas vamos que vamos, tem que fazer isso logo, vai ser melhor para ele (assim eu esperava).

Como minha licença estava no final e eu ainda tinha uns dias de férias sobrando, a gente combinou que eu faria a adaptação de fato do Gael na creche. A adaptação aqui, como na maioria dos lugares, é normalmente feita em 3 dias, mas como o processo varia de criança para criança, só o primeiro dia tem um planejamento, os dias seguintes são definidos de acordo com a resposta do bebê.

Chegou o primeiro dia, 8 de Agosto, uma segunda feira. Gael acorda, toma café da manhã, brinca um pouco, dorme, acorda, almoça e a gente sai correndo, porque o horário combinado era ao meio dia e o almoço demorou um pouco mais do que deveria. Nesse primeiro dia o combinado era que Gael deveria ficar por duas horas na creche acompanhado de um dos pais. Chegando lá o Gael ficou meio desconfiado, não queria muito papo com nenhum dos pedagogos, ficava grudado em mim o tempo todo. Em alguns momentos ele até chegou mais perto de um ou de outro mas eu tinha que ficar dentro do campo de visão dele. Teve um momento que ele estava um pouco mais afastado eu até tentei em sair um pouquinho para um dos pedagogos me mostrar alguma coisa, mas não deu certo. Foi eu chegar na porta que ele abriu o berreiro. As duas horas passaram, o Gael estava cansando daquilo tudo e como estava na hora do lanche, e também como eu não tinha levado nada para o Gael comer, achei melhor ir embora.

No segundo dia o combinado era que faríamos igual, duas horas sendo que eu o acompanharia o tempo todo. Nesse dia o Gael resolveu acordar mais tarde um pouco e a soneca da manhã acabou indo até mais tarde. Como a gente passou da hora, eu liguei e avisei que a gente iria um pouco mais tarde, chegaria lá por volta de 13:00. Chegamos lá o Gael ficou um pouco mais tranquilo, eu ainda não podia sair muito de perto mas ele se aventurou um pouco mais pela sala e estava interagindo um pouco mais com os pedagogos. Ele brincava com os pedagogos desde que eu estivesse junto, até tentei sair um pouco de perto para ver o que aconteceria, mas ele logo vinha me procurar. Às 14:00 era a hora do lanche e todos sentaram à mesa, como eu saí correndo de novo, não tive tempo de preparar nada e por acaso também não tinha nada na bolsa do carrinho. Eu achei que de repente era melhor ir embora, mas eles arrumaram um pãozinho para o Gael comer e se sentar junto com todo mundo.

O lanche é uma festa, todo mundo sentado junto, cada um com a sua lancheira na frente. Não tem muita assistência, são 12 crianças e 4 adultos. As crianças vão comendo como bem entenderem e é claro que tem horas que um não quer comer mais e começa a cantar e a outra que estava do lado comendo resolve cantar também, enfim uma bagunça. O Gael até comeu o pãozinho, mas estava mais interessado em descobrir o que os amiguinhos do lado tinham dentro da lancheira. Algumas vezes eu tive que tirar alguma coisa da mão dele, hehehehe. Enfim depois do lanche, como o tempo estava agradável, era hora de brincar do lado de fora. Levei o Gael para fora e tudo que ele queria fazer era andar segurando na minha mão. Nesse dia eu tentei deixar o Gael no colo de uma pedagoga, afinal estava preocupado que ele não tinha se separado de mim, e só tinha mais um dia para terminar a adaptação! Mas mesmo eu estando o tempo todo do lado dele, ele não parou de chorar!! Fiquei um pouco preocupado, mas a pedagoga me falou que ele estava indo bem, nessas horas você acaba acreditando em tudo que te falam, mesmo que não te pareça verdade. No fim do dia ficou combinado que deveríamos voltar no dia seguinte a mesma hora, mas que eu deixaria o Gael sozinho lá por um tempo.

Como o Gael ficaria sozinho, nesse dia eu preparei um lanchinho com o que ele mais gosta, biscoitinhos de arroz e um pouco de passas. Chegamos na creche e a pedagoga me falou o seguinte, “na hora que você achar melhor, você fala com o Gael que vai dar uma volta, se despede e sai. Mesmo com ele chorando, você não pode voltar atrás. Quando a gente achar que você tem que voltar a gente te liga.” Nessa hora eu pensei que horas seria melhor, que Isso nunca iria acontecer, mas como tenho que fazer vou fazer logo. Peguei o Gael, dei uns beijinhos, falei que ia dar uma volta e saí. Na hora que a pedagoga pegou ele no colo, ele chorou um montão!! De cortar o coração, acho que foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz, porque era um choro bem desesperado. Tentei me convencer de que era o melhor para o meu filho, que o choro passaria, e saí. Como nesse dia não tinha almoçado ainda, fui comer alguma coisa. Assim que terminei de comer, uns 40min depois, estava pensando em ligar para ver se estava tudo bem. Até falei com a Carol para ver o que ela achava, ela achou melhor eu esperar um pouco. Quando deu mais ou menos uma hora, eu já estava quase na porta da creche. Liguei e perguntei se poderia voltar. Eles disseram que sim, que já estava na hora. Voltei rapidinho.

Chegando lá, dei um olhada pela janela e Gael estava sentado no colo da pedagoga, com uma carinha de triste, com um biscoitinho de arroz em cada mão, comendo bem devagar!! Corri para entrar na sala e assim que Gael me viu começou a chorar, mas foi só eu pegar ele no colo que ficou bem e alegre e passou a devorar os biscoitinhos na velocidade usual. Assim terminou o terceiro dia, e a pedagoga me disse que ele foi super bem, ficou um pouco triste depois que eu saí, mas que estava tudo bem e que era assim mesmo, e que no dia seguinte poderia deixar ele o dia quase todo. Mas de preferência um dia mais curto entre 9:00 e 14:30 no máximo.

E na quinta-feira, quarto dia do Gael na creche ele ficou o dia quase todo. A entrega foi dificil e sofrida, o Gael chorou bastante, mas quando a gente foi pegar ele, os pedagogos falaram que ele tinha ficado trisitinho mas que tinha interagido um pouco com as outras crianças. O pior desse dia foi que ele não dormiu nada!! Assim que eu o peguei, ele estava com uma cara de cansado e foi sentar no carrinho e menos de 5 minutos estava apagadão, dormiu mais de uma hora direto no carrinho.

Assim os dias foram passando e o Gael ficando cada vez mais confortável na creche. Na semana seguinte ele já ficou o dia todo e já estava dormindo. E alguns dias depois ele já nem estava chorando mais quando a gente deixava ele, mas como com bebê as coisas não são lineares, ainda temos uns dias de choro para acalentar os corações dos pais.

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Nasce um filho, nasce uma mãe

* Por Ana Gabriela Marques

FB_IMG_1466256092317Tenho poucas lembranças da minha infância com brincadeiras de mamãe e filhinha. Acho que desde cedo era bem decidida quanto a isso: não queria ser mãe. Já na fase adulta, casada há muitos anos, muitas pessoas me questionavam e eu era categórica na questão: não vamos ter filhos. Meu marido topava sim, mas já estava quase desistindo por eu estar tão longe dessa ideia. O tal bichinho da maternidade e o relógio biológico nunca bateram em mim. Muita gente não entendia e eu super me entendia, não queria e ponto,  crianças são lindas e puras, mas não queria uma pra mim. Pois bem, casada já há anos, tomando pílula há séculos, precisei dar uma pausa por recomendação médica. Essa médica hoje aos meus olhos, estava em parceria o cara lá de cima, só pode. E com 11 dias mais ou menos sem tomar remédio, engravidei. Uma bomba caiu sobre minha cabeça. Ali eu parei, respirei (mentira, eu fiquei sem ar por muito tempo) e percebi que eu não era Deus e que eu não tinha o domínio sobre tudo. Meu marido sorria de orelha a orelha. E eu me mantive pelo menos uns 15 dias com cara de velório.

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O dia em que eu disse “SIM”.

Londres, 13|06|2013

Filho,

Hoje é dia 13 de Junho de 2016. Sabe o que isso significa? Que há sete anos atrás,  eu dei o melhor “sim” da minha vida. Eu e seu pai nos casamos! Aliás, a gente se casou bem antes disso… mas o ritual tradicional, com direito a festa, vestido branco e All Star, foi nesse dia. É! Seu pai entrou na igreja de All Star…hehehe,  esse é o seu pai, filho!

Estava um lindo dia típico de inverno no Rio de Janeiro. Daqueles bem frios, mas com o céu azul e o sol na medida certa. Casamos numa casa perto da praia, que estava lotada de amor em forma de gente.

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Por favor, abra a porta!

 

Foto pra ilustrar a minha Porta, com a caixa de correio bem no meio dela. A minha só tem umas partes que são de vidro.

Londres, 11 de maio de 2016.

Faço meu filho dormir o soninho da tarde, geralmente depois do almoço.

Nesse dia especificamente tinha sido muito cansativo e colocá-lo pra dormir significava dormir um pouco também.

Assim que o coloco na cama, escuto alguém batendo à porta. Vou espiar pra ver quem era e era meu vizinho, um senhor inglês pra lá de fofo, que tem nos acolhido super bem. Não pensei duas vezes e fui atendê-lo.

Ele todo educado, veio me dizer que eu havia colocado o lixo no local errado…

Enquanto me explicava, me afastei um pouco da porta que fechou com a força do vento.

Olhei pra trás pra ver se era realmente aquilo que eu estava pensando… Fiquei parada por dois segundos, olhei pra ele e fui até a porta conferir se ela abriria, já que eu estava sem chave, sem celular e descalça.

Coloquei a mão na fechadura que não abriu por nada!

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