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O Huguinho de Penedo e o Amarelinho da Cinelândia

huguinho-amarelinhoNa quinta-feira anterior ao dia dos pais nós arrumamos mala e cuia e botamos pés na estrada, assim resolvido na hora, rumo ao Rio de Janeiro. O Rio fica a 170 quilômetros daqui do nosso mato, e foram 170 quilômetros de olho no Huguinho, que vinha de três dias de febre, mas melhorando (a febre diminuindo e espaçando). O Mafuá ficou com uma moça com quem nunca tinha ficado. Quando manobramos o carro, depois de deixá-lo, em Resende, ele já tentava cruzar nas pernas da pobre. Ir ao Rio na correria, Huguinho doentinho no inverno, Mafuá tentando cruzar em quem aparece. Nada de novo no front.

Mas foi uma ida ao Rio muito especial. Fazia muito tempo que não entrávamos no apartamento da Priscila em Botafogo. Estava alugado há mais de um ano, e a pessoa há poucas semanas avisou que iria entregar, porque foi transferida pela empresa para outro canto. Chegamos na quinta à tarde, comemos uma bobagem em um dos muitos bares descoladinhos que pipocaram nas redondezas nos últimos anos, e no fim do dia eu fui para um compromisso na Associação Brasileira de Imprensa. Priscila e Huguinho ficaram de farra no apê. Ele estava melhor. Desde a manhã cedinho sem mais febre. Quando cheguei, lá pela nove da noite, apareceu um 37,2. Demos meia dose de dipirona, na certeza de que no outro dia já teria passado tudo.

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Férias com o Gael

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Mais um verão chegou, Gael completou seu primeiro ano na creche e teve suas primeiras férias. Se no verão passado, com o Gael com quase 1 ano, as aventuras se resumiam a visitas diárias aos parques nas redondezas, nesse verão, Gael perto de completar 2 anos, as aventuras puderam ser bem mais aventurosas. Teve de tudo, desde descobrir que na verdade o Gael fala bem alto, a descobrir um pequeno parque de répteis aqui em Oslo.

A creche do Gael na verdade não para, mas como o curso que estou fazendo tinha um pausa de 3 semanas programadas, decidimos que o Gael ia ter umas férias também. Durante o verão a quantidade de crianças e de professores diminui bastante, então achamos que ele poderia estranhar um pouco e seria bom para ele ter uma pausa também.

Com a experiência do verão passado, decidi não criar muitas expectativas. A idéia foi olhar a previsão do tempo e planejar o passeio do outro dia. Como o Gael já está maiorzinho, os passeios puderam ser maiores e assim ir mais longe a pé e é claro de bicicleta. Aliás, Gael adora andar de bicicleta! Ele fica quietinho na cadeirinha só curitndo a paisagem, mas na maioria das vezes se o passeio é curto ele quer continuar passeando. Então nesse verão quando o tempo estava meio esquisito ou eu estava sem idéias, era só montar na bicicleta e ir até o Vigeland Park que tem um parquinho muito legal com um escorrega que podemos escorregar juntos e uma caixa de areia. Aliás a caixa de areia foi o maior hit do verão. O Gael simplesmente adora! Fica horas enchendo os baldinhos e cavando, nada mais divertido.

Um dos passeios alternativos nos dias que choveu foi ir até a biblioteca central de Oslo, que é uma história a parte. A biblioteca é enorme e nem um pouco entediante como as bibliotecas que eu conhecia, nela pode-se fazer de quase tudo, quase tudo mesmo! Falar alto, correr, brincar e lá tem até umas mesas em que se pode comer. Gael adora e até já foi algumas vezes com a creche. Lá que eu percebi uma coisa muito engraçada: como o Gael fala alto! Em um dos dias que fomos até lá, assim que chegamos, Gael foi para a janela e viu os caminhões da obra ao lado. Bom nesse momento ele começou a apontar e falar caminhão de uma forma que acho que todo mundo na biblioteca conseguiu ouvir. O mais legal foi que niguém pediu para ele falar mais baixo ou olhou de cara feia.

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Com o tempo bom, aproveitamos para ir até um dos lagos de Oslo para fazer uma caminhada, na verdade eu fiz uma caminhada de 5 km morro acima empurrando o carrinho. Nesse dia o Gael não quis por nada sair do carrinho, pelo menos curtiu a paisagem e me contou que quase todas as árvores do caminho eram verde. No fim da trilha tem uma cabana e lá vimos um cavalinho que foi a segunda grande atração do passeio, o Gael não conseguia se concentrar para comer vendo o cavalinho.

Essas férias foram de muitas descobertas, e isso foi umas das coisas mais divertidas de todas. A cada dia e a cada passeio, uma novidade. Se um dia eram as cores das árvores e da terra do caminho, no outro foi o barulho que barco fazia (Móoooooo), os patos no mar, os animais na fazendinha.

Para finalizar as férias eu queria terminar bem e como o tempo estava estranho nesse dia decidi que a gente iria visitar o Oslo Reptile Park. O lugar é pequeno e escondido, mas muito legal. Eles tem uma série de “aquários” e pequenos viveiros com répteis e pequenos bichos diferentes. Na maioria são cobras e insetos pequenos, mas chegando lá encontramos um antigo conhecido, um par de micos. O Gael ficou doido e não parava de falar MA CA CO, muito legal, mas além dos miquinhos ele gostou muito de ver as cobras e os outros bichos. Para comemorar os últimos dias fomos comer uma pizza, que é o novo prato preferido do Gael. Ele adorou comeu bastante e depois tirou uma boa soneca.

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Esse verão foi muito divertido e vai deixar saudades, foram muitas descobertas e muito mais fácil do que antes. As sonecas não são mais uma luta e a interação faz o tempo passar bem mais rápido. Mas como diz a música todo carnaval tem seu fim e um novo ano “letivo” está batendo na porta com uma nova turminha na creche. É hora de volta às aulas!

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Por que aqui em casa não teve presente de Dia das Crianças?

Fonte: Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

Na noite de terça-feira, véspera do Dia das Crianças, deparei-me com um artigo publicado no ótimo site Justificando em que o autor ousou fazer algo cada vez mais difícil de se ver no Brasil: dar às coisas os nomes que elas têm. No artigo, o juiz do trabalho Renato da Fonseca Janon chama a atenção para a imensa hipocrisia que é comemorar com tanto gozo, júbilo e deleitação o chamado Dia das Crianças em um país que pede a redução da maioridade penal – um país que parece querer ver crianças pobres atrás das grades por puro gozo, júbilo e deleitação, tendo em vista que apenas uma parcela ínfima de crimes graves no Brasil é cometida por menores de 18 anos de idade.

Renato da Fonseca Janon lembrou ainda que, segundo a Fundação Abrinq, existem mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) em situação de trabalho infantil no Brasil. Ainda segundo dados recentes da Abrinq, das crianças brasileiras com idades entre 0 e 14 anos, 44% encontram-se em situação de pobreza e 17% na condição de extrema pobreza.

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O que os nossos filhos vão ser?

question-mark-1460071938ehfMesmo antes de se ter filhos, é normal desejar algo para o futuro deles quando se imagina tê-los. Os pais (ou futuros) fazem isso nas melhores intenções, baseados em seus sonhos, crenças, idealizações ou até mesmo, frustrações. É inevitável, quando se educa e cria uma criança que depende de você para tudo, oferecer um direcionamento que naturalmente irá configurar várias direções na vida dele(a).
Comigo foi assim também, meus pais sempre cuidadosos com minha educação (formação) eram bastante preocupados com os estudos e também incentivavam no esporte. Eu morava em frente a um SESI, onde fazia natação e judô. A natação era mais diversão, já no judô, eu era bom o suficiente para ser convidado a ir treinar em uma academia dedicada ao esporte, mas após uma mudança de bairro, lembro que eu não fui mais. Quando mais velho perguntei a minha mãe sobre a minha saída, já que existia um potencial, ela me disse que eu não queria mais ir e por isso parei. Isto não me incomoda, mas me questiono o que seria de mim hoje, se meus pais tivessem insistido que eu continuasse…  talvez eu já até pudesse ter representado o Brasil em uma Olimpíada, rs!  Conheço a história de alguns talentos que não progrediram no que eram bons exatamente por falta de um apoio, seja financeiro ou da presença e insistência de alguém.
Algumas coisas nos foram impostas, outras, orientadas. Tatuagem é um exemplo clássico da minha época “-nem pensar enquanto morar aqui em casa” ou também “-causa má impressão na hora de arrumar emprego”. Cada casa é um caso, com certeza quem está lendo este texto vai se lembrar de algo que algum familiar ou responsável falava como imposição ou conselho.
Outra coisa que fez bastante diferença influenciando muito o meu desenvolver, é o fato de ter morado numa cidade de interior, como Volta Redonda, onde nasci e cresci. Me lembro que na época da faculdade, lá mesmo em Volta Redonda, eu já falava que iria “trabalhar fora” e morar fora do país, o que pode ser muito normal para quem vive em uma capital, mas a maioria das pessoas com quem eu convivia, não compartilhavam do mesmo interesse. Não acho que era somente uma falta de vontade, mas porque simplesmente aquilo não fazia parte do nosso “mundo”. Outro exemplo de cidade de interior é a falta de incentivo para seguir uma carreira artística ou mais alternativa, dificilmente os pais incentivam os filhos a seguir um caminho muito fora do padrão de um emprego fixo com carteira assinada.
Enfim, muitos questionamentos para nós pais e mães na hora de direcionar o caminho dos nossos filhos. O que quero que o Tom seja? O que vou impor ou orientar? Algumas coisas não temos como evitar e terão que ser feitas até uma certa idade, mas o máximo que puder, quero mostrá-lo um leque de opções diante dos seus desejos e incentivá-lo  para  que ele possa tomar suas decisões para escolher seus caminhos. Tenho certeza que o que vai fazer a diferença pra ele, é saber que os seus pais estarão ali para ajudá-lo a entender e apoiar suas decisões.

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Adaptação

Fonte: Espira

Fonte: Espira

Eu considero que o nosso processo de adaptação na creche começou quando a gente foi à primeira reunião. Nesse dia nos apresentaram de uma forma geral a estrutura da creche e o seu funcionamento básico, coisas do tipo: as crianças menores ficam no primeiro andar, aonde fica a cozinha, uma vista rápida das salas temáticas etc. Mas também nesse dia a ida do Gael para creche se materializou um pouco mais para mim. Eu confesso que fiquei animado com a estrutura mas também um pouco assustado de deixar o Gael num ambiente “estranho” sabendo que ele não falava e só se deslocava engatinhando. Ficava pensando que era muito cedo e que ele tinha que estar pelo menos andando. Enfim, coisas de pai de primeira viagem.

Após essa reunião o Gael recebeu um email muito bonitinho da “sala” dele. Foi muito legal pois era como se a “sala” estivesse convidando o Gael para se juntar à turminha e a data de início. O problema era que a  data que ele deveria começar era no final de Agosto. Como a nossa licença terminaria no início de agosto, a gente pediu para mudar. Conseguimos mudar para o dia 8 de agosto um dia depois do Gael completar 1 ano e um dia depois da gente voltar do Brasil. Assim que mudamos a data achei ótimo mas quando o dia foi chegando começei a achar meio ruim, porque seria muita coisa nova para o Gael. Viagem para o Brasil, encontra uma galera, volta para Noruega, outro fuso horário, aí nem descansou da viagem já começa a adaptação. Pensei, bom vai ser um pouco mais complicado mas vamos que vamos, tem que fazer isso logo, vai ser melhor para ele (assim eu esperava).

Como minha licença estava no final e eu ainda tinha uns dias de férias sobrando, a gente combinou que eu faria a adaptação de fato do Gael na creche. A adaptação aqui, como na maioria dos lugares, é normalmente feita em 3 dias, mas como o processo varia de criança para criança, só o primeiro dia tem um planejamento, os dias seguintes são definidos de acordo com a resposta do bebê.

Chegou o primeiro dia, 8 de Agosto, uma segunda feira. Gael acorda, toma café da manhã, brinca um pouco, dorme, acorda, almoça e a gente sai correndo, porque o horário combinado era ao meio dia e o almoço demorou um pouco mais do que deveria. Nesse primeiro dia o combinado era que Gael deveria ficar por duas horas na creche acompanhado de um dos pais. Chegando lá o Gael ficou meio desconfiado, não queria muito papo com nenhum dos pedagogos, ficava grudado em mim o tempo todo. Em alguns momentos ele até chegou mais perto de um ou de outro mas eu tinha que ficar dentro do campo de visão dele. Teve um momento que ele estava um pouco mais afastado eu até tentei em sair um pouquinho para um dos pedagogos me mostrar alguma coisa, mas não deu certo. Foi eu chegar na porta que ele abriu o berreiro. As duas horas passaram, o Gael estava cansando daquilo tudo e como estava na hora do lanche, e também como eu não tinha levado nada para o Gael comer, achei melhor ir embora.

No segundo dia o combinado era que faríamos igual, duas horas sendo que eu o acompanharia o tempo todo. Nesse dia o Gael resolveu acordar mais tarde um pouco e a soneca da manhã acabou indo até mais tarde. Como a gente passou da hora, eu liguei e avisei que a gente iria um pouco mais tarde, chegaria lá por volta de 13:00. Chegamos lá o Gael ficou um pouco mais tranquilo, eu ainda não podia sair muito de perto mas ele se aventurou um pouco mais pela sala e estava interagindo um pouco mais com os pedagogos. Ele brincava com os pedagogos desde que eu estivesse junto, até tentei sair um pouco de perto para ver o que aconteceria, mas ele logo vinha me procurar. Às 14:00 era a hora do lanche e todos sentaram à mesa, como eu saí correndo de novo, não tive tempo de preparar nada e por acaso também não tinha nada na bolsa do carrinho. Eu achei que de repente era melhor ir embora, mas eles arrumaram um pãozinho para o Gael comer e se sentar junto com todo mundo.

O lanche é uma festa, todo mundo sentado junto, cada um com a sua lancheira na frente. Não tem muita assistência, são 12 crianças e 4 adultos. As crianças vão comendo como bem entenderem e é claro que tem horas que um não quer comer mais e começa a cantar e a outra que estava do lado comendo resolve cantar também, enfim uma bagunça. O Gael até comeu o pãozinho, mas estava mais interessado em descobrir o que os amiguinhos do lado tinham dentro da lancheira. Algumas vezes eu tive que tirar alguma coisa da mão dele, hehehehe. Enfim depois do lanche, como o tempo estava agradável, era hora de brincar do lado de fora. Levei o Gael para fora e tudo que ele queria fazer era andar segurando na minha mão. Nesse dia eu tentei deixar o Gael no colo de uma pedagoga, afinal estava preocupado que ele não tinha se separado de mim, e só tinha mais um dia para terminar a adaptação! Mas mesmo eu estando o tempo todo do lado dele, ele não parou de chorar!! Fiquei um pouco preocupado, mas a pedagoga me falou que ele estava indo bem, nessas horas você acaba acreditando em tudo que te falam, mesmo que não te pareça verdade. No fim do dia ficou combinado que deveríamos voltar no dia seguinte a mesma hora, mas que eu deixaria o Gael sozinho lá por um tempo.

Como o Gael ficaria sozinho, nesse dia eu preparei um lanchinho com o que ele mais gosta, biscoitinhos de arroz e um pouco de passas. Chegamos na creche e a pedagoga me falou o seguinte, “na hora que você achar melhor, você fala com o Gael que vai dar uma volta, se despede e sai. Mesmo com ele chorando, você não pode voltar atrás. Quando a gente achar que você tem que voltar a gente te liga.” Nessa hora eu pensei que horas seria melhor, que Isso nunca iria acontecer, mas como tenho que fazer vou fazer logo. Peguei o Gael, dei uns beijinhos, falei que ia dar uma volta e saí. Na hora que a pedagoga pegou ele no colo, ele chorou um montão!! De cortar o coração, acho que foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz, porque era um choro bem desesperado. Tentei me convencer de que era o melhor para o meu filho, que o choro passaria, e saí. Como nesse dia não tinha almoçado ainda, fui comer alguma coisa. Assim que terminei de comer, uns 40min depois, estava pensando em ligar para ver se estava tudo bem. Até falei com a Carol para ver o que ela achava, ela achou melhor eu esperar um pouco. Quando deu mais ou menos uma hora, eu já estava quase na porta da creche. Liguei e perguntei se poderia voltar. Eles disseram que sim, que já estava na hora. Voltei rapidinho.

Chegando lá, dei um olhada pela janela e Gael estava sentado no colo da pedagoga, com uma carinha de triste, com um biscoitinho de arroz em cada mão, comendo bem devagar!! Corri para entrar na sala e assim que Gael me viu começou a chorar, mas foi só eu pegar ele no colo que ficou bem e alegre e passou a devorar os biscoitinhos na velocidade usual. Assim terminou o terceiro dia, e a pedagoga me disse que ele foi super bem, ficou um pouco triste depois que eu saí, mas que estava tudo bem e que era assim mesmo, e que no dia seguinte poderia deixar ele o dia quase todo. Mas de preferência um dia mais curto entre 9:00 e 14:30 no máximo.

E na quinta-feira, quarto dia do Gael na creche ele ficou o dia quase todo. A entrega foi dificil e sofrida, o Gael chorou bastante, mas quando a gente foi pegar ele, os pedagogos falaram que ele tinha ficado trisitinho mas que tinha interagido um pouco com as outras crianças. O pior desse dia foi que ele não dormiu nada!! Assim que eu o peguei, ele estava com uma cara de cansado e foi sentar no carrinho e menos de 5 minutos estava apagadão, dormiu mais de uma hora direto no carrinho.

Assim os dias foram passando e o Gael ficando cada vez mais confortável na creche. Na semana seguinte ele já ficou o dia todo e já estava dormindo. E alguns dias depois ele já nem estava chorando mais quando a gente deixava ele, mas como com bebê as coisas não são lineares, ainda temos uns dias de choro para acalentar os corações dos pais.

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Gael e os Parques

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Uma das melhores coisas da região onde a gente mora em Oslo é a proximidade de 4 parques diferentes. Temos o St. Hanshaugen, o Slotts Park, o parque da igreja e o menor, mas não menos melhor, o parque da esquina. Eu não sei o nome do parque da esquina, mas como ele fica na esquina de duas ruas, apelidei de parque da esquina. O Gael adora todos principalmente porque têm um monte de grama para ele arrancar. Estou pensando em fazer uma proposta para os administradores para contratarem a gente como arrancadores oficiais de praga, porque o Gael adora arrancar as florzinhas amarelas.

Ficar em casa o dia todo pode ser muito bom por um tempo, mas para um bebezinho agitado que adora explorar tudo não é tão legal assim. Ainda mais num apartamento pequeno como o nosso. O Gael se diverte bem em casa na primeira parte do dia, que vai mais ou menos até um pouco depois do almoço. A partir dessa hora, derrubar os livros e brinquedos da estante, ou tirar todas as roupas das gavetas já não é tão mais interessante assim, então a melhor saída são os parques.

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A arte de chorar

Chegar em um novo lugar e não saber falar o idioma pode ser uma experiência muito desconfortável. Nós adultos, sentimos isso emocionalmente ao querermos nos comunicarmos, porém, se não soubermos falar a língua, não será possível estabelecer uma comunicação rápida para  resolver nossos problemas mais imediatos. Senti isso na primeira vez que fui para a Holanda, chegando em Amsterdam não sabia o que fazer. Naquele tempo celular não gravava mapas e não queria sair perguntando informações básicas, de como por exemplo era pegar um tram para qualquer pessoa desconhecida.
Faço essa introdução porque carrego isso em mente quando vejo um bebê chorando ou uma criança já não tão bebê agindo da mesma maneira. O bebê quando chega ao mundo, não tem a capacidade de falar e mesmo se tivesse, não conseguiria sintonizar os sons da fala com o significados das coisas. Por isso, o bebê chora não somente quando sente uma necessidade emocional, mas também em qualquer situação física que sente um desconforto: como fome ou dor. Chora porque esse é o recurso que ele tem para se comunicar, não conhece outra maneira. Um pouco diferente é quando a criança começa a crescer e mesmo já sendo capaz de se comunicar, chora por não saber se expressar melhor ou porque talvez, foi assim que ela aprendeu a ser ouvida.

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Huguinho e o meu primogênito

huguinho-mafuaMoramos aqui em Penedo há pouco mais de seis anos, e tem pouco mais de seis anos de idade o Mafuá, nosso grande companheiro dessa vida diferente que levamos aqui, com meno$, porém com mais qualidade de vida, liberdade, passarinhos coloridos e conversas fortuitas nas calçadas, aqui onde nem sinal de trânsito tem, ainda que tenha engarrafamento nos fins de semana mais concorridos dessa temporada de inverno.

Mas o Mafuá, um labrador americano de 40 quilos, tipo o Marley, é mais que isso: é um filho. Um filho diferente, é verdade, mas um filho. Costumo me referir a ele, ao Mafuá, como meu primogênito, para estranheza de alguns. Como do meu sogro. Quando ele vem aqui, ou quando o Mafuá vai lá, na casa dele, eu sempre digo: “Mafinha, diz oi pro vovô”. E o meu sogro sempre emenda de pronto: “Vovô, não! Não tenho neto cachorro!”. Sei, porém, que é um tanto da boca pra fora, de farra. Tal rejeição não combinaria com seu imenso coração.

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Atenção, papai está de licença!

Há exatas duas semanas e dois dias começava minha licença paternidade, uma nova fase e uma nova aventura com o Gael. Nas próximas oito semanas será eu e o Gael, o Gael e eu, durante a maior parte dos dias.

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Antes de qualquer coisa, vale um pequeno esclarecimento. Aqui na Noruega quando o casal engravida, temos basicamente duas opções; na primeira opção nós temos direito a 100% do salário e 39 semanas e na segunda opção podemos escolher ganhar 80% e ficar 49 semanas de licença. A gente fez as contas e chegou à conclusão que a opção de 39 semanas era a melhor. Dessas 39 semanas, 10 semanas são garantidas para o pai, 10 para mãe e o resto podemos dividir da forma que a gente achar melhor. Como queríamos que o Gael amamentasse o máximo possível na divisão eu fiquei “só” com as 10 semanas padrão mesmo.

No início eu imaginei “que beleza 10 semanas em casa, que ótimo, de volta a escola, quase 3 meses de férias”. Altos planos, não vou parar em casa, vou mudar tudo em todas as bicicletas, entre outras coisas. Pois é, o lance é que junto com as “férias escolares” vem um pacotinho que necessita de atenção 157% do tempo em que está acordado para evitar algum acidente mais sério. Um dia no almoço conversando com um amigo que tem 2 filhos, ele me contou que no primeiro filho ele tinha planejado algo parecido, mas que ele mal tinha tirado as bicicletas da garagem. Nessa hora percebi que a realidade era outra e meus planos mudaram para um pouco mais “modestos”: fazer trilhas, passear bastante, ou seja, curtir o verão na Noruega fora de casa. Em alguns dias nos finais de semana, a Carol ia malhar e eu ficava com o Gael sozinho. Se ela demorava um pouco mais, eu tinha que preparar o almoço dele antes dela chegar e fazer dormir quando ela estava cansada, eita trabalhão! Bom, chegando mais perto da data da licença bateu o desespero, “não vou dar conta de fazer isso tudo sozinho e ainda sair de casa”. Mas alguns planos continuavam, não envolviam mais bicicletas nem trilhas longas, mas sair de casa com certeza. A Carol tentou me acalmar e falou eu ia conseguir, falou para eu ficar tranquilo, e assim meio cabreiro, esperando o pior, chegou o primeiro dia, que ainda bem era numa quarta feira, assim eu teria um período de adaptação.

No primeiro dia definitivamente eu não estava preparado. Tocou o despertador, aliás o Gael acorda as 5:30, e a Carol começou a se preparar para trabalhar, amamentou a ferinha e eu me preparei para o primeiro desafio: o café da manhã. Eu decido jogar na segurança, maçã, cottage e pão, nada de mingau ou outra coisa mais arriscada. No café da manhã correu tudo bem, comeu a maçã quase toda e devorou o resto, ufa, menos um. Segundo desafio: a soneca da manhã. Com duas horas cravado acordado o Gael começa a coçar o olhinho, aí vem o primeiro bocejo, é hora de dormir. Vou lá preparar o quarto, barulhinho, escurinho, tudo pronto, vamos para a bola, e até que ele dorme rápido. Coloco no berço, ok, dormiu, fecho a porta, ligo a camera no Ipad, e espero. De olho no relógio, limpo a mesa, coloco as louças na máquina de lavar, faço mais uma coisa ou outra, depois de 25min sento no sofá. 30min cravados, “Buaaaa”, o Gael acordou. Vou até o quarto e tento fazer dormir de novo, meia hora depois e nada, decido sair do quarto e soltar ele pela sala mesmo porque ele já estava cansado de tentar dormir e eu cansado de tentar fazer ele dormir. É, para quem falou que as coisas seriam fáceis, meia hora é a sina, hehehe.

O almoço foi tranquilo, ele até que comeu bem e fez pouca bagunça. Óbvio que para preparar o prato não foi tão fácil assim, vai Gael para a cadeirinha e papai pulando e fazendo graça enquanto eu faço o prato dele e tento preparar e esquentar o meu. Depois do almoço, deixo brincando mais um pouco em casa e vamos passear de carrinho para o Gael dormir, a gente saiu às 13h, era para ele dormir 13:30, deu meia hora e nada, 13:50 e nada. Aliás, nada não, ele começa a reclamar e chorar no carrinho. Tentei passar pelo o paralelepípedo com bastante tremedeira, normalmente funciona, mas não adianta nada. Então pensei colocar no canguru, mas cadê o ergobaby? Deixei em casa? Perdi? Não, o ergobaby  ficou em casa mesmo, então vamos voltar. Tentei quicar na bola de pilates e após 30 minutos nada muda. Resolvo ligar para a mãe:
–Olha não dormiu ainda, tentei na rua e em casa e nada, vou deixar ficar acordado.
–Não, Conrado, tenta de novo, que ele VAI dormir.20160603_153842

Ok, Mamãe, vamos para a bola de novo, pego o Gael todo serelepe e vamos para o quarto. Nessa tentativa ele dormiu, deixo dormir mais um pouco no colo e coloco no berço, bom agora vai, penso eu. Saio do quarto, bebo um copo d’agua, suspiro, quarenta minutos se passaram e pronto o Gael acorda, feliz da vida!! QUARENTA MINUTOS, vou repetir QUARENTA MINUTOS!! Fiquei logo preocupado, se ele dormir só isso eu não vou conseguir nem fazer as coisas da casa, quanto mais descansar um pouco. É, essa licença vai ser complicada. Mais tarde, por volta das 16:30, a Carol chega em casa e eu declaro encerrado meu turno, totalmente acabado. Vendo minha situação ela me acalma e diz que vai tudo melhorar, afinal foram muitas mudanças, ele vai se acostumar e eu também e tudo vai ser mais tranquilo. Assim vamos todos dormir, e já me preparando para o segundo dia, tiro aquele sono pré-prova.

Chega o segundo dia e as coisas melhoram. Pela manhã ele dormiu mais de uma hora direto e fomos para a aulinha de música. Lógico que eu saio atrasado e tenho que esquentar a comida dele no microondas, mas tudo bem porque ele comeu tudo, dormiu bem a tarde também e ainda tivemos natação depois. Nesse dia eu fiquei menos cansado apesar de ter mais atividades. E do segundo dia em diante as coisas foram ficando mais fáceis. Alguns dos meus planos mirabolantes não se realizaram ainda, mas já consegui ir ao parque, passear no lago, entre outras coisas. Posso dizer que estou me divertindo bastante agora, é muito bom ver que ele curtindo, se desenvolvendo, aprendendo coisas diferentes como, descer do sofá sozinho, fazendo amizades com todos os bebês do parque. Enfim, não tive mais nenhum dia muito complicado e espero que tudo continue assim nas próximas semanas e que eu esteja preparado para a próxima fase que vai ser liberar o pacotinho para a creche. Até lá vamos ter muitas aventuras e vou contando as maiores por aqui.

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Ser pai e mãe é jogar sem treinar

Já ouvi muitas pessoas dizendo que não estavam prontas para serem pais, da minha parte posso dizer que sempre estive, já que sabia que nunca estaria pronto, e também porque a vontade de ser pai sempre foi grande.
Há um tempo atrás vi uma reportagem sobre um nadador que não “perdia” tempo treinando como os outros nadadores, seus treinos eram  como se estivesse competindo, e neste ritmo frenético treinava apenas poucas vezes na semana e mesmo assim mantinha um alto desempenho.
Tom Basket
Hoje relaciono a paternidade com esse modelo, treino não funciona. Veja só:
  • Nunca vi ninguém treinar para de repente acordar de duas em duas horas ao longo da noite durante semanas, meses…
  • Ninguém se prepara para não deixar roupa suja acumular (porque não há espaço para colocar tanta roupa de bebê, então lavar a roupa tem que ser constante);
  • Se não for por muita disciplina, não deixar o lixo acumular nem um dia (porque as fraldas sujas fedem e o lixo tem que ser descartado todo dia;
  • Treinar para fazer comida todo dia, já que quando o bebê cresce e você quer tentar uma alimentação melhor, fazer comida é obrigação, acabou a moleza de “mexido (arroz+feijão+ovo)” ou de sanduíche quando dava preguiça de cozinhar;
  • Aquela preparação para deixar de descansar depois do almoço nos finais de semana;
  • Trainar para deixar de ler as mensagens, verificar os e-mails etc.
Em resumo: não existe quem se prepare para isso, é sair da vida mansa e entrar no ritmo frenético quando de um dia pro outro você recebe a informação que pode deixar o hospital e levar o seu pacotinho de surpresas para casa. Aquela coisa de quando alguém vê um pai trocando fralda e faz uma piada sobre estar preparado perde totalmente o sentido já que trocar fraldas passa ser fácil demais perante aos outros desafios como a atenção constante que um bebê pede, esse sim é um dos treinamentos difíceis.
A vida do modo que era antes tem seu fim para que comece uma vida nova da qual não tem como voltar atrás para treinar e se preparar. A gente está ali todo dia na marca do pênalti sendo pressionado para fazer o gol. Depois que o tempo passa a gente começa a aprender e sente-se preparado para continuar no jogo, mas obviamente já levou muitas faltas e dribles.

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