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A maternidade e as novas amizades

Fonte: Pixabay

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Depois que temos filhos a vida muda radicalmente. Em vários sentidos, incluindo o convívio social. Sair e não ter hora para voltar, independente do dia, é algo inimaginável a partir de então. Até porque você precisa pensar nas horas de alimentação, sono, xixi, cocô, mau humor, bom humor… e por aí vai.

Principalmente com crianças pequenas é muito comum os país não conseguirem mais frequentar os mesmos lugares. Com isso os amigos — e os próprios pais –acabam se afastando, involuntariamente e, em alguns casos, voluntariamente. Desde que o Huguinho nasceu já cansei de ler e reler relatos de outras mães contando como os amigos se distanciaram depois que seus filhotes chegaram. E acontece mesmo!

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É dia 17 de maio: dia nacional da Noruega

Hoje é feriado nacional aqui na Noruega. 17 de maio é uma data especial, também conhecido como o dia em que foi assinada a constituição. Todo ano esse é o dia dos noruegueses colocarem suas melhores roupas, reunirem amigos e famílias e irem para a rua comemorar.

Em todo o país há desfiles pela rua e o que eu acho legal é que são com a participação especialmente de crianças, diferente do que estamos acostumados no nosso dia da independência com parada militar. Além disso, apesar de estarem super elegantes, ou com as trajes típicos ou roupas de festa, o clima é super informal e descontraído.

Essa é a data favorita de comemoração norueguesa e eles levam muito a sério isso. As comemorações começam no café da manhã mesmo, normalmente com champagne, e continua o dia inteiro. Eu acho lindo de ver todos se vestindo com roupas típicas muito felizes se parabenizando pelo dia. Fora que as roupas são uns espetáculos!

E sabe qual é a comida típica? Salsicha e sorvete! Sim, nada mais típico. Nosso dia também teve um pouco disso, mas com mais alguns ingredientes nutritivos. Acordamos cedo e fizemos uma torta de maçã típica, depois fomos para o centro ver o desfile e almoçar na casa de amigos. A alegria dos noruegueses nesse dia é contagiante e aprendemos a gostar também de 17 de maio, por isso queria dividir algumas imagens por aqui. Espero que gostem!

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Metade da decoração minha, metade do Gael

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Abra a porta e a janela, deixa o sol entrar!

Gael-varandaAmo muito essa época do ano. É primavera, e o sol começa a esquentar. É hora de trocar os casacos, guardar as botas de inverno e tirar do armário os sapatos mais leves. O dia mais longo e ensolarado nos convida a ficar na rua até mais tarde, mudando de calçada se precisar em busca dos raios de sol.

Aqui as estações do ano são mais marcadas e é muito gostoso ver o tempo se transformar, as folhas começarem a nascer. No Brasil é diferente porque não sentimos tanto isso. Mas aqui as estações marcam muito minha memória e quando o tempo começou a mudar já me lembrei logo da última primavera. Gael tinha 8/9 meses e lembro quando conseguimos sair da sala e brincar na varanda, as primeiras explorações, descobrindo a grade, ele adorava bater nela fazendo muito barulho.

Assim como o outono passado me trouxe as memórias do nosso primeiro outono juntos. Eu estava no início da minha licença maternidade e ficava andando muito na rua para ele dormir. O clima de outono e e o ventinho gelado me trouxeram na hora as lembranças dessa época, de quando ainda estava no iniciozinho dessa jornada de maternidade.

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A vida materna e suas escolhas

IMG_7989Antes de ser mãe eu nunca pensei na opção de deixar de trabalhar fora para ficar com o filho. Sempre quis conciliar as duas coisas e, apesar de curtir muito a ideia de ficar em casa com ele durante a licença de maternidade, parecia natural voltar a trabalhar depois de um tempo. Mas nada como ser mãe para mudar de ideia, não é mesmo?

Depois que fui mãe passei a entender muito mais as mães que se dedicam exclusivamente à maternidade. Que têm a oportunidade de ficar o dia todo ao lado dos filhos. Eu super entendo, mas também acho natural ter vontade de voltar ao mercado de trabalho. Sou assim sabe, queria poder ter as duas coisas, queria trabalhar e poder ficar com ele o tempo todo.

Acho que as duas opções tem suas vantagens. Mas optei por trabalhar e, na maior parte do tempo, fico tranquila quanto à nossa escolha. Mas e quando eu tenho que deixar ele na creche correndo porque preciso entregar um trabalho? Quando ele fica chorando e tenta se agarrar a mim? Não é fácil não, muitas vezes eu desejo poder ficar com ele mais tempo. E olha que até tenho um horário flexível e às vezes até consigo trabalhar de casa.

Nessas situações sempre me pego pensativa, queria tanto poder ficar mais com ele sem precisar ter que pensar em outras coisas. Porque mesmo quando estou no trabalho, sempre estou com ele na cabeça. Mesmo trabalhando fora também sou mãe em tempo integral. A todo momento. A diferença é que quem trabalha fora às vezes precisa dividir algumas preocupações entre pepinos do trabalho e merenda da criança.

A vida é feita de escolhas, não é? Ou a gente tenta sempre fazer a melhor escolha dentro do que a vida nos oferece. Estamos tentando ser a melhor mãe que podemos ser. Ou tentando sempre melhorar. Ou quebrando a cara toda hora, mudando de opinião… Ficar em casa com o filho não é uma opção para mim agora. Mas deve ser bom demais ter essa opção.

Meu lado mãe quer abraçar meu filho a cada segundo e cada vez que ele cair estar lá para segura-lo. E um outro lado de mim quer se dedicar muito ao trabalho e à carreira.

Já falei aqui em outro post, quem não tem filho não tem ideia de como a vida muda. E tenho pensado muito nisso ultimamente: carreira & maternidade, como conciliar tudo da melhor forma. Algumas escolhem se dividir entre as duas coisas, outras preferem parar o trabalho por um tempo para se dedicar ao filho, são muitas escolhas que precisamos fazer e o importante é fazer a que nos deixa mais tranquila. Pensando nisso, tem dois vídeos que vi no youtube já faz tempo e que me lembrei nesse momento que tem tudo a ver com esse tema, recomendo!

O primeiro é sobre o trabalho mais difícil do mundo. Adivinhem qual é? E o segundo mostra uma mãe que por um tempo ficou em casa para cuidar dos filhos e agora tenta voltar ao mercado de trabalho.

(estão em espanhol, mas acho que é tranquilo entender)

 

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Dia da panqueca

Hoje, dia 28 de fevereiro, é o Pancake Day aqui Inglaterra, ou Shrove Tuesday, que nada mais é do que a terça-feira Gorda e o dia anterior à quarta-feira de Cinzas.

Tradicionalmente, os cristãos têm esse dia como o “último” dia pra comer de tudo antes da Quaresma, os 40 dias que antecedem a Páscoa. Antigamente, não se podia comer os ingredientes da panqueca nesse período.

O Dia da Panqueca é celebrado em todo o país, especialmente com corridas segurando uma frigideira e muitas guloseimas!2017-02-28-PHOTO-00001187

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fonte: pinterest

Por causa disso, a Mari que está em Londres, resolveu fazer algumas panquecas com seu filho! E não é que ficaram deliciosas… na massa não vai açúcar e o recheio fica a gosto do freguês!

Receita:
110g de farinha
1 pitada de sal
2 ovos
200 ml de leite com 75 ml de água

Como fazer:

  1. Peneirar a farinha e o sal numa tigela.
  2. No meio da farinha, quebre os ovos.
  3. Mexa os ovos com a farinha.
  4. Gradualmente, misture o leite com água até ficar homogêneo.
  5. Pronto, agora é untar a frigideira com um pouco de manteiga, esquentar e fazer camadas bem fininhas!
  6. Ficam ótimas com geleias, frutinhas, yogurt, mel, nutella, doce de leite…

* A receita rende em média 8 porções

Alerta: Antes de servir qualquer um dos ingredientes citados a cima, por favor, verifique se seu filho é alérgico.

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Ainda não um menino, nem tanto um bebê, apenas 18 meses

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Parece que foi ontem que escrevi o texto de 6 meses do Gael. Mas ao mesmo tempo parece que foi há muito tempo, pois tanta coisa aconteceu! Lá naquele texto eu dizia como o tempo passava rápido. Minha nossa, rápido? Eu já não sei mais o que é isso, você está ENORME, 18 meses, quase um menino. Já usa roupa tamanho dois anos! E depois de dois anos já tenho que sair da sessão bebê das lojas! Eu vou piscar e daqui a pouco você está entrando na faculdade, saindo de casa… mãe é tudo boba mesmo.

É tanta coisa que aconteceu, tanta coisa que aprendeu, tanto que passamos juntos. Eu sei que muitas vezes foi difícil e todo dia à noite eu sinto um cansaço enorme, mas foi bom demais! Nossos domingos de descansos, deitados no sofá vendo filme, tomando café tarde, já não existem mais. Agora 6h da manhã já estamos correndo pela casa, normalmente atrás desse sapeca. É tanta energia que nem acredito. Gael abre o olho e desce da cama imediatamente, não rola nem uma espreguiçada. Meu filho, você pode levantar devagar, não precisa correr, demore só mais uns 5 minutinhos.

Gael é um gulosinho. Mas quando decide que não vai comer, não há nada que o faça mudar de ideia. Agora, experimenta colocar um prato de massa na sua frente? Ele bate um pratão. Sozinho, porque ele não gosta mais que ninguém dê na boca, ele já é independente e come sozinho. É preciso ser muito zen para limpar tudo depois porque, claro, cai muita coisa no chão. Porém o que ele mais gosta de comer sem dúvida é fruta. As favoritas são: morango, framboesa, uva e blue berry. Mas também adora maçã, pêra, tangerina e kiwi. Ah sim, também gosta muito de banana, mas não chega na categoria de morango que ele come uma caixa inteira. Se bem que tangerina já comeu 4 seguidas, poderia estar na categoria de favoritos, mas vamos dizer quer ele não nega muito fruta não.

Suco também gosta muito, impossível tentar tomar do lado, Gael para tudo o que está fazendo e agarra nosso copo. Não posso pegar uma maçã para comer que ele vem atrás. E tenho que confessar, me enche de orgulho esse seu gosto por frutas, não vejo a hora de leva-lo numa feira de rua no Rio, vai pegar muitas provinhas, igual eu fazia quando criança.

Gael já dorme a noite toda, é uma benção. Às vezes dá uma acordadinha, mas volta a dormir rápido. Só não precisava acordar 5:30 né? Fico lembrando como foi difícil essa parte do sono, ficávamos horas ninando, parecia que nunca aprenderia a dormir sozinho, isso parecia um sonho tão distante. Mas acho que ele só era pequenininho mesmo, quando chegou a hora, quando ele estava pronto, ele aprendeu. E dorme super fácil agora. Todo dia de noite Gael escolhe com quem vai dormir, se joga no colo do escolhido e dá tchau para o outro (nos caso eu ou o pai). Não rola mais “coloca você hoje ele para dormir?” Não, Gael que decide!

Adora música. Está fascinado pelo álbum “Arca de Noé” e quer tocar em sequência sem parar, mas só o início de cada música e já muda para a próxima. Sabe cantar pedacinhos de algumas (na verdade são mais sílabas). Quando chega em casa já começa “glu glu glu”, se referindo à música do peru. E nós pais também passamos o dia ouvindo as músicas, mesmo que em pensamento, porque elas não saem da cabeça. Quando ele começa pedindo para tocar, eu tento emplacar outras canções, mas nunca cola muito e lá vamos nós para o pato, peru, gato… ah e leão que ele imita fazendo “grrrrr”.

Sobre a fala, está começando a se soltar mais. Conversa bastante na língua dele, mas no nosso idioma algumas palavras só. Normal para uma criança que está aprendendo dois idiomas ao mesmo tempo. Às vezes sai “mamãe”, às vezes “mama”. Quando está com sede pode pedir “aguá” (auau também quer dizer água ou cachorro, temos que adivinhar) ou vann (em norueguês). Mas ele entende tudo, fico impressionada, tanto o que falam em norueguês quanto o que falamos em português. No entanto a palavra preferia é “não”, também na forma de “nei”. Tudo é não.

Está na fase de carrinhos, “vrum vrum”, “bibiiii”, adora brincar com o trem, jogar bola, lego e brinquedos que toquem música. Ele para tudo para dançar ou correr pela casa, fica animadíssimo com música. Adora brincar com água, lavar louça, lavar a mão, banho é uma festa. Bebe água o dia inteiro sem parar, tem um apego enorme pela garrafinha de água, quando está chateado agarra a garrafa e isso o ajuda a acalmar. Algumas crianças têm paninho, ursinho de pelúcia, Gael tem a garrafa, às vezes dorme agarrado à ela.

Tem dias que não quer tirar a roupa por nada, é um drama para tirar o pijama e colocar a roupa para ir pra creche. Outros dias não quer colocar roupa nenhuma, só correr pelado pela casa. A roupa ele que escolhe, quando não gosta não coloca de jeito nenhum! É uma montanha russa de emoções. Vai da calma ao looping num segundo e ficamos sem saber de onde saiu o problema.

Mas enfim, é uma fofura sem fim, amo demais. Agarro muito, beijo muito e às vezes ele pede “não mamãe”. Mas eu não consigo resistir a essas bochechas. Agora vai passar um piscar de olhos e já vamos estar aqui falando sobre os dois anos. Mas enquanto isso não chega vou tentar descansar um pouco, porque está puxado viu, a rotina é intensa! Agora ele está dormindo, mas amanhã pontualmente às 5:30 começa mãmãmãmãemamãemamãe MÃE MÃE MÃE mãããããããããeeeee!

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Natal na Noruega

Esse ano é o primeiro natal que vamos passar aqui depois de cinco anos. Apesar de sentir falta da família, estou tentando olhar as coisas boas daqui. Além de ser o primeiro natal com neve de verdade e não de isopor como no Rio, tem muita novidade para nós brasileiros, por isso resolvi separar algumas para falar aqui.

Lysfesten: A festa das luzes acontece no início do inverno. Quando os dias curtos e as noites longas se tornam mais marcantes. Na creche do Gael foi organizada uma festa para pais e crianças. Muitas velas foram colocadas dentro de potinhos de vidro que eles mesmo pintaram. Foram servidos sopas e legumes grelhados, cantamos músicas e passamos um agradável tempo celebrando o início dessa época de natal. Eu fiquei muito feliz de estar participando pela primeira vez de uma festinha da creche do meu filho, um momento para ser lembrado.

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Calendário do Advento: Marca a contagem regressiva para o natal. Muitas famílias fazem um calendário para as crianças com cartolina e desenham 24 janelinhas, a partir de 1. de dezembro vão abrindo uma janelinha por dia. O mais comum é colocar um presentinho por dia, mas pode-se criar outros prêmios alternativos para quem não quiser comprar tantos presentes. Já vi mães trocando brinquedos com outras mães, sem ter que comprar novos e na creche do Gael fizeram um caledário com vários corações grandes de cartolina e um número para cada dia, Gael ganhou o dia 5 e ficou super contente. É também muito fácil encontrar esses calendários prontos para vender que já vem com prêmios, aí depende do orçamento de cada um.

É tradição também colocar um arranjo com quatro velas e acender uma a cada domingo que antecede o natal. A origem dessas coroas vem de uma tradição pagã européia. Conta-se que, na escuridão do inverno, ao redor de folhas eram acesas velas que simbolizavam o “fogo do deus sol” com a esperança de que sua luz e seu calor voltassem. E para evangelizar as pessoas, os primeiros missionários aproveitaram a tradição, dando novo significado a esse costume.

Luciadagen – Dia de Santa Lúcia: Celebrado dia 13 de dezembro, é uma tradição aqui na Escandinávia. As crianças costumam vestir-se de branco, e se deslocam em grupo, tipo uma procissão, cantando músicas tradicionais e segurando velas (ou luzes). É também típico comer “lussekatt”, que é um pão de açafrão e passas.

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Gael fazendo o seu pão na creche

Mercados de natal: é muito comum ter mercados de natal nessa época. Aqui em Oslo tem um bem tradicional no centro da cidade, onde transformam um lago em pista de patinação e montam também restaurantes e outras atrações como roda gigante e carrossel. Eu adoro ir lá, nunca acho nada de interessante para comprar, mas gosto do clima do local.

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Klementine: Essa época do ano tem cheiro de tangerina. A fruta aparece à venda aos montes em todos os mercados e deixa um cheiro marcante no ar. Como brasileira eu nunca imaginei dizer isso, mas depois de morar tantos anos aqui eu digo: Natal tem cheiro de tangerina. Em todos os lugares que você vai te oferecem uma, dessas bem pequenininhas, que é fácil comer várias. No trabalho as pessoas compram sacola e distribuem, na natação do Gael tem uma cesta para os pais que assistem a aula, as lojas colocam cestas com frutas também. E ninguém reclama do cheiro, é o aroma dessa época.

Julebord: É como os noruegueses chamam os jantares de comemoração de final de ano. A partir de novembro já começa a acontecer. As empresas organizam suas festas, amigos marcam jantares, todos valorizam muito esses encontros e colocam suas melhores roupas. No meu trabalho as pessoas se vestem de forma super informal, mas no jantar é como se fosse casamento no Brasil.

Decoração: É costume limpar a casa para receber os amigos e decorar ela toda. Colocam as velas do Advento e Estrelas iluminadas na janela. As árvores de natal costumam ser de verdade ( a nossa é de plástico), nessa época surgem várias opções com árvores fresquinhas para a sua casa. Se tiver disposição você pode também ir na floresta cortar a sua árvore, existem regiões onde é permitido. Parece uma ideia linda e divertida, mas pelo que fui informada se torna um programa de índio, já que não é fácil cortar, depois tem que amarrar, carregar até o carro… Enfim nossa árvore é de plástico porque achamos que Gael ia derrubar e não queria terra pela casa. Aliás, esse é o primeiro ano que montamos uma árvore, afinal é o primeiro natal que passamos aqui e ele é muito especial, pois é o primeiro natal de verdade do Gael, no outro ele era muito pequenininho. Montamos a árvore super animados com a reação que ele teria, mas Gael foi bem tranquilo, curtiu as luzes e gosta de tirar as bolinhas, pede para colocarmos na árvore de novo e depois tira mais uma vez e por aí vai… Mas na maior parte do tempo ele nem dá muita bola para a árvore.

Nisse: O papai noel aqui é diferente. É um gnomo que vive nos celeiros das casas e toma conta dos animais. Ele deve ser tratado bem e no Natal ele espera receber uma boa tigela de risgrøt (veja próximo tópico) . Se for bem tratado, continua a tratar dos animais e até distribui presentes. Na verdade dizem que esse é o papai noel original, o que conhecemos foi introduzido pela cultura americana. Diz a lenda que caso não seja bem tratado pela família, ele pode maltratar e até matar os animais dos quais cuidou. Na dúvida, mesmo não tendo animais, melhor deixar a tigelinha à mostra.

Comida típica: Esse tópico merece subtópicos:

Risgrøt: Creme de arroz doce. Este é o prato oferecido aos nisse no Natal. Nele, é costume esconder uma amêndoa e quem encontra ganha um julegris, que é um porquinho feito de marzipã. Tem também uma variação que alguns chamam de riskrem, uma sobremesa servida gelada feita à base de arroz com adição de creme e cauda de frutas vermelhas.

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Pepperkake: biscoitinhos de gengibre. Muito comum comprar a massa, moldar em casa e decorar com docinhos, ou fazer uma casinha de biscoito. Alguns se reúnem e montam cidade de pepperkake.

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Pinnekjøtt, lutefisk e ribbe: São os pratos típicos da ceia. Pinnekjøtt e ribbe são mais populares que o lutefisk, que mereceria um post só para ele. Basicamente é peixe com soda cáustica, se tiver interesse de entender melhor isso aí, clica aqui. Ribbe é costela do porco, que eles assam com uma camada enorme de gordura e deixam no forno em alta temperatura até essa parte ficar dourada e crocante. O Pinnekjøtt é costela de ovelha salgado e seco.

Comemoração do Natal: Começa no dia 23 à noite, acendendo as luzes da árvore, reunindo a família e cantando músicas juntos. E continua o dia 24 inteiro, não precisa esperar até de noite!

Enfim, essa época é muito comemorada por aqui. Acho que se jogar nas festas é também uma forma de encarar essa época do ano que é tão difícil, fria e escura, precisamos mesmo encontrar os amigos e nos aquecer, pois é só o início do inverno. Depois se eu lembrar de mais alguma coisa depois atualizo isso aqui. Espero que gostem 🙂

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Kos og kaos: cartoon norueguês para se divertir com a maternidade

Line Severinsen é uma ilustradora norueguesa que começou a fazer cartoons como uma espécie de diário da sua primeira gravidez. O trabalho dela é tão bom que rapidamente se tornou viral e famoso no mundo todo. Eu conheci seu instagram quando ainda estava grávida e super me identifiquei com várias situações.

Acho que o sucesso dela vem do fato dela ver com humor tanto o lado que apreciamos da gravidez/maternidade quanto o lado caótico (o nome “kos og kaos” em norueguês significa exatamente isso: apreciar e caos). Como ela mesma fala, quando engravidou estava muito animada para ter uma gravidez saudável e se preparar para a chegada de sua primeira filha. Mas sua gravidez não foi nem um pouco perto do que ela via por aí pela mídia, que sempre noticia como uma coisa gloriosa, e não fala da parte difícil. Afinal, não é fácil mesmo, algumas poucas sortudas conseguem ter essa glória de ter uma gravidez sem nenhuma dificuldade, mas a maioria não. Por isso tenho certeza de que muitas mães e futuras mamães se identificam com os quadrinhos de Line, simples e direto! Então fica a dica! Line tem blog, instagram, facebook, acabou de lançar um livro em norueguês e em breve vem um em inglês. 🙂

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Livro recém-lançado

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A melhor parte de escolher o nome do bebê é se dar conta do tanto de pessoas que odiamos

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Coisas que você não precisa dizer para uma grávida: são 2? Oh meu deus, você está enorme, está esperando trigêmeos?

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Hora de se alongar

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Como me sinto na academia

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Esses hormônios

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O único jeito desse pequeno dormir

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Pais que adoram uma desculpa para comprar presentes para si mesmos

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Pós-parto

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O único jeito dessa pequena dormir

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Primeiro dia na creche

O que tem na sua bolsa da maternidade?

O que tem na sua bolsa da maternidade?

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Domingo de inverno ao som de funk

A temperatura está ladeira abaixo (rolando desembestada) e já tem neve lá fora. O frio não é muito convidativo para ficar na rua, mas ao mesmo tempo temos que inventar o que fazer porque ficar em casa com um menininho de 1 ano e três meses não é fácil. E aqui na Noruega tudo fecha domingo, eu digo tudo mesmo, só sobram uns mercadinhos para comprar produtos de última hora. Por isso que eu amei o convite de uma amiga para ir num baile de funk para bebês.

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O evento acontece uma vez por mês em uma biblioteca aqui de Oslo. E, gente, é uma delícia. Uma tarde com música, gente animada, bebês para todos os lados e pais super empolgados. Gael ficou meio desconfiado no início, depois se soltou mais. É muita atração para eles, além da música, existem livros ao redor que eles podem pegar à vontade. Nesse dia não vale a regra de silêncio na biblioteca, o negócio é fazer barulho!

Se tem gente sentada no chão o dj chama logo para dançar. Toda hora ele inventa algum passo e convida todos para fazer juntos e interage muito com as crianças. Eu, Conrado e Gael adoramos e estamos ansiosos para o próximo baile. Obrigada Aline pelo convite! 🙂
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A primeira dor de garganta a mamãe nunca esquece

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Fonte: Pixabay

Dizem que tudo o que acontece pela primeira vez na vida a gente nunca esquece. Mas são tantas “primeiras vezes” que acho que é impossível lembrarmos de tudo. Eu, pelo menos, não lembro de quase mais nada (risos!), mas uma delas acho que não vou esquecer: a primeira dor de garganta do Huguinho.

No último sábado, o Huguinho apareceu do nada com um febrão de 39 graus. Ele estava ótimo até o meio da manhã e de repente aquela febre. Ele ficou super caidinho, choramingando e não queria comer. A febre estava super persistente e não sabíamos muito o que fazer. Não havia nenhum sintoma “aparente”. Nada de coriza, espirros, tosse… nada!

Enviei uma mensagem para o nosso querido pediatra, mas percebi que ele estava offline, pois não havia recebido o whatsapp. A febre continuava alta e, como estávamos na casa dos meus pais, recorri a outro querido pediatra, que é vizinho deles, para pedir uma opinião sobre o antitérmico.

Na mesma hora ele examinou o Huguinho e constatou que o problema era a garganta. Estava muito inflamada, com várias placas. O Huguinho começou a tomar antibiótico imediatamente.

É claro que ter um diagnóstico acalmou o nosso coração. Mas, daí em diante, foram mais dois dias de choro, febre indo e voltando e apetite praticamente zero. Até a mamadeira ele recusava. Como fiquei feliz de ele ainda não ter desmamado completamente, pois foi a amamentação no peito que salvou os nossos dias.

O Huguinho já pegou outras viroses, mas foi a primeira vez que ele “interagiu” com o problema. Com dois anos e três meses, ele conseguiu nos dizer o que sentia. “Muito frio, mamãe”, “dodói ganta” e “tá ruim”, foram algumas das frases dele nesses dias.

É claro que não gostaria que ele estivesse passando por isso, qual mãe ou pai gostam de ver os seus filhos doentes? Mas tudo serve de lição. Para mim a principal delas foi perceber a importância do aleitamento materno mesmo após a criança completar dois anos. Ao contrário do que muitos, mas muitos dizem, o leite materno faz sim diferença. Não existe essa história de que depois de alguma tempo é a mesma coisa que água ou coisa do tipo. Vivendo e aprendendo e lá se foi mais uma “primeira vez”…