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E lá vem mais um inverno

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Piscamos o olho e o inverno chegou. Quer dizer, oficialmente ainda não, ainda não está frio suficiente. Mas setembro foi mais quente e ensolarado do que o esperado e estávamos curtindo muito ao ar livre. Chegou outubro e tudo mudou,  a temperatura caiu bruscamente.

De repente nos vimos na necessidade de comprar muita coisa para o Gael, um kit de sobrevivência para o inverno. Sim, porque, para nós adultos, não precisamos comprar todo ano, mas criança cresce sem parar e toda hora tem que comprar coisa nova. E para o inverno não é pouca coisa, são várias camadas. Eu sempre me sinto insegura, nunca sei se estou fazendo a coisa certa, se tem roupa suficiente, se tem roupa demais, se a roupa é adequada.

Nosso primeiro inverno com Gael passamos boa parte dele no Brasil e mesmo assim ele não era muito ativo, ficava muito tempo dentro de casa, era mais fácil ter controle. Agora que ele está na creche é mais complicado. O meu maior medo é ele passar frio porque ainda não fala, mas como na creche eles entendem do assunto tenho que garantir que ele tenha tudo que precisar à disposição. Eu sempre soube que na creche eles saíam para brincar do lado de fora todo dia, independente do tempo, e que precisaria comprar roupa de chuva e também um macacão de inverno. Mas aí eu descobri que precisaria também de um macacão de outono, não tão quente quanto o de inverno. Eu não estava preparada para isso, tivemos que comprar correndo quando o frio chegou.

Depois de receber toda a informação da creche foi que me dei conta de que comprei algumas coisas erradas, como macacão de linha achando que era lã. Aliás, lã é tudo! Item essencial para aquecer no inverno. O negócio é vestir em camadas, pois caso precise vai tirando ou adicionando (ou trocando alguma que sujar sem precisar trocar tudo). Então compramos algumas opções de roupas de baixo, que é uma lã mais fininha e ele fica parecendo uma salsichinha, macacão para segunda camada que pode ser de lã mais grossa ou fleece (um tecido quentinho), meias de lã, luvas, gorros e golas. Fora a bota de chuva e de inverno.

Depois de tudo adquirido é hora de ir à luta. Ou seja, vestir o bebê! Muita calma nessa hora, Gael não reclama de vestir a roupa, pelo contrário, ele até gosta. Mas na segunda camada já está de saco cheio e querendo fugir para alguma brincadeira. E depois das três camadas de roupa ainda tem que complementar com os acessórios: luvas, gorros e gola. É um tal de tira e coloca e tira e coloca que haja paciência. Para nós e para ele, que fica irritado porque não consegue andar direito. A vida no inverno norueguês não é fácil não, e olha que ainda estamos no outono!

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Ele já é um menininho!

menininhoHá poucos meses, mais precisamente em janeiro deste ano, publiquei um post aqui no Mama no qual constatei que o Huguinho já não era mais um bebezinho. Em menos de um ano, retomo o tema para dizer para vocês que agora ele já é um menininho, quase um meninão!

Sabem aquele bebezinho recém-nascido que precisamos deixar em pé no colo depois de mamar para arrotar? Aquele que regurgita depois de cada mamada, que sofre com cólica, com refluxo e que acorda a noite inteira querendo mamar mais um pouquinho? Quase nem me lembro mais. Parece que foi há décadas que isso aconteceu por aqui.

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De repente 2!

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De repente 2!

Londres, 7|10|2016

São 22h35min, pego uma taça de vinho, ligo uma música e coloco suas fotos pra passar na TV. Meu Deus, como você é lindo! Como o tempo voa… Não é clichê, é real! Lembro ao Edu sobre as dores sentidas há dois anos, naquele exato momento… Ele que embrulha alguns presentes que compramos, ri e aperta a minha mão. Preparamos tudo, nos olhamos e sorrimos. Amanhã é seu aniversário! O grande dia! Apagamos as luzes e subimos.

Fui deitar com o coração saltitando, não parava de olhar no relógio…  Parecia até que você ia nascer pela segunda vez! Hehehe Ficava imaginando como seria seu rostinho quando visse o que preparamos com todo amor. Agora você não é mais um bebezinho e já vibra com cada surpresa que fazemos. Bom, logo cedo, não fui eu que te acordei, mas você me acordou com beijos… Você anda com essa deliciosa mania. Acorda no meio da noite, sobe na nossa cama e nos acorda pela manhã como se fosse um sol invadindo nossa janela… Com força e energia total. Ou acordamos ou acordamos!

Abraçamos você, cantamos parabéns e pedimos a Deus todo amor e saúde do mundo!

Hoje, minha vontade é de ir aos céus, e dar um abraço bem apertado em Deus! Quero agradecer muito por me permitir ser sua mãe e viver momentos tão plenos de amor. Há exatamente dois anos, que eu realmente descobri porque vim a esse mundo, que tudo se justificou e se justifica a cada manhã. Há exatamente dois anos atrás, descobrimos, juntos uma força do tamanho do mundo. Força essa que me move desde que você chegou. Que me faz ser leoa, cozinheira, musicista, cantora, atriz, palhaça, professora, arquiteta, poliglota Você me ensina tanto… Ensina a ser livre, mas inteira e a amar por amar. Se hoje sei mais de mim, devo isso a essa nossa parceria que me edifica tanto.

Hoje é dia de festa!

Um viva pela sua vida, meu amor! Viva essa sua alegria!

Eu e seu pai vivemos pra amar e cuidar de você! Não há nada nesse mundo que nos dê mais prazer!

Feliz 2 anos meu amor, feliz vida inteira!!!

Com todo amor,

Mamãe.

 

 

 

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Festa do Gael

Gael já fez quatorze meses, mas nunca é tarde lembrar do que é bom, não é mesmo? Ainda mais quando é para comemorar o aniversário do nosso filho!

Quando comecei a pensar na festinha dele, o primeiro tema que me veio à cabeça foi fundo do mar, simplesmente porque o Gael adora água. Praia, piscina, banho, tudo é uma alegria para ele. É só colocar na piscina que ele solta um sorrisão, coisa mais linda. Então Gael virou um mini mergulhador na sua festa.

Juntei um grupo de colaboradores, tias, avós, pai, todo mundo colaborou de alguma forma. Minha irmã e minha mãe foram no Saara (região de compras do Rio onde você acha de tudo) comprar bandeiras, forminhas, baldinhos, tubetes, toalhas e mais outras coisas. Fiz os desenhos do bichinhos e minha sogra e cunhada fizeram em feltro, meus sogros também foram no Centro do Rio comprar itens para os aquários que fiz nas mesas dos convidados. Eu e Conrado imprimimos tudo o que precisamos em casa mesmo e montamos os enfeites na semana antes da festa, quando chegamos no Rio. Isso foi um pouco corrido, já que tínhamos que esperar Gael dormir para começar a produção.

Pesquisei muito no pinterest, instagram, google, fui salvando referências e buscando inspirações. As águas-vivas eu aprendi a fazer com o programa “Fazendo a festa” do GNT, aliás, muito bom para buscar ideias. Comprei algumas coisas no Ali Express, como essas redes com conchas, esse babado embaixo da mesa, as bandeirinhas, os balões e mais algumas coisas que acabei não usando. Tudo baratinho que chegou rápido aqui na Noruega. Sempre que ia em alguma loja por aqui ficava de olho se alguma coisa serviria bem para decoração. Na hora de montar a mesa final acabei nem usando tudo, mas foi bom ter opções para ir testando.

De painel de fundo compramos essa juta que eu achei que ficou perfeita para cobrir a parede feia do salão de festas, achei que ornou bem com as cores. Minha irmã e minha mãe acharam uma âncora e timão em loja de artesanato, assim como um mini baú que enchemos com moedinhas de chocolate. As bandejas de ondinhas também são dessas lojas, pintamos tudo em casa. A única coisa que comprei pronto foram os toppings de bichinhos dos docinhos. Ia fazer com uma moça isso e mais um monte de outras coisas, mas de última hora ela não pode entregar, então corri e comprei pelo Elo7, que chegou rapidinho. Os tubetes seriam de mergulhador, mas como não deu para comprar pronto e não sobrou tempo por aqui para fazer, acabamos improvisando de véspera as baleias. Desenhamos à mão e recortamos, super fácil de fazer.

Enfim, foi tudo feito por aqui com muito prazer. Na verdade eu achei uma delícia pensar nos detalhes e colocar tudo junto. Acho que dá um gostinho especial para a festa saber que nos dedicamos e tudo ficou lindo (eu achei!). Porém, o mais importante foi que Gael curtiu muito, acabou a festa imundo! Obrigada ao time pela ajuda e ao grupo que chegou cedo lá para encher balão e montar a mesa: Juju, Matheus e Joana! e obrigada a todos pela presença, morando fora, foi um ótimo motivo para reunir amigos e familiares. Agora que eu gostei do negócio, me aguardem ano que vem!

Fotos: Lá nos momentos

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Por que aqui em casa não teve presente de Dia das Crianças?

Fonte: Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

Na noite de terça-feira, véspera do Dia das Crianças, deparei-me com um artigo publicado no ótimo site Justificando em que o autor ousou fazer algo cada vez mais difícil de se ver no Brasil: dar às coisas os nomes que elas têm. No artigo, o juiz do trabalho Renato da Fonseca Janon chama a atenção para a imensa hipocrisia que é comemorar com tanto gozo, júbilo e deleitação o chamado Dia das Crianças em um país que pede a redução da maioridade penal – um país que parece querer ver crianças pobres atrás das grades por puro gozo, júbilo e deleitação, tendo em vista que apenas uma parcela ínfima de crimes graves no Brasil é cometida por menores de 18 anos de idade.

Renato da Fonseca Janon lembrou ainda que, segundo a Fundação Abrinq, existem mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) em situação de trabalho infantil no Brasil. Ainda segundo dados recentes da Abrinq, das crianças brasileiras com idades entre 0 e 14 anos, 44% encontram-se em situação de pobreza e 17% na condição de extrema pobreza.

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O que os nossos filhos vão ser?

question-mark-1460071938ehfMesmo antes de se ter filhos, é normal desejar algo para o futuro deles quando se imagina tê-los. Os pais (ou futuros) fazem isso nas melhores intenções, baseados em seus sonhos, crenças, idealizações ou até mesmo, frustrações. É inevitável, quando se educa e cria uma criança que depende de você para tudo, oferecer um direcionamento que naturalmente irá configurar várias direções na vida dele(a).
Comigo foi assim também, meus pais sempre cuidadosos com minha educação (formação) eram bastante preocupados com os estudos e também incentivavam no esporte. Eu morava em frente a um SESI, onde fazia natação e judô. A natação era mais diversão, já no judô, eu era bom o suficiente para ser convidado a ir treinar em uma academia dedicada ao esporte, mas após uma mudança de bairro, lembro que eu não fui mais. Quando mais velho perguntei a minha mãe sobre a minha saída, já que existia um potencial, ela me disse que eu não queria mais ir e por isso parei. Isto não me incomoda, mas me questiono o que seria de mim hoje, se meus pais tivessem insistido que eu continuasse…  talvez eu já até pudesse ter representado o Brasil em uma Olimpíada, rs!  Conheço a história de alguns talentos que não progrediram no que eram bons exatamente por falta de um apoio, seja financeiro ou da presença e insistência de alguém.
Algumas coisas nos foram impostas, outras, orientadas. Tatuagem é um exemplo clássico da minha época “-nem pensar enquanto morar aqui em casa” ou também “-causa má impressão na hora de arrumar emprego”. Cada casa é um caso, com certeza quem está lendo este texto vai se lembrar de algo que algum familiar ou responsável falava como imposição ou conselho.
Outra coisa que fez bastante diferença influenciando muito o meu desenvolver, é o fato de ter morado numa cidade de interior, como Volta Redonda, onde nasci e cresci. Me lembro que na época da faculdade, lá mesmo em Volta Redonda, eu já falava que iria “trabalhar fora” e morar fora do país, o que pode ser muito normal para quem vive em uma capital, mas a maioria das pessoas com quem eu convivia, não compartilhavam do mesmo interesse. Não acho que era somente uma falta de vontade, mas porque simplesmente aquilo não fazia parte do nosso “mundo”. Outro exemplo de cidade de interior é a falta de incentivo para seguir uma carreira artística ou mais alternativa, dificilmente os pais incentivam os filhos a seguir um caminho muito fora do padrão de um emprego fixo com carteira assinada.
Enfim, muitos questionamentos para nós pais e mães na hora de direcionar o caminho dos nossos filhos. O que quero que o Tom seja? O que vou impor ou orientar? Algumas coisas não temos como evitar e terão que ser feitas até uma certa idade, mas o máximo que puder, quero mostrá-lo um leque de opções diante dos seus desejos e incentivá-lo  para  que ele possa tomar suas decisões para escolher seus caminhos. Tenho certeza que o que vai fazer a diferença pra ele, é saber que os seus pais estarão ali para ajudá-lo a entender e apoiar suas decisões.

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Adaptação

Fonte: Espira

Fonte: Espira

Eu considero que o nosso processo de adaptação na creche começou quando a gente foi à primeira reunião. Nesse dia nos apresentaram de uma forma geral a estrutura da creche e o seu funcionamento básico, coisas do tipo: as crianças menores ficam no primeiro andar, aonde fica a cozinha, uma vista rápida das salas temáticas etc. Mas também nesse dia a ida do Gael para creche se materializou um pouco mais para mim. Eu confesso que fiquei animado com a estrutura mas também um pouco assustado de deixar o Gael num ambiente “estranho” sabendo que ele não falava e só se deslocava engatinhando. Ficava pensando que era muito cedo e que ele tinha que estar pelo menos andando. Enfim, coisas de pai de primeira viagem.

Após essa reunião o Gael recebeu um email muito bonitinho da “sala” dele. Foi muito legal pois era como se a “sala” estivesse convidando o Gael para se juntar à turminha e a data de início. O problema era que a  data que ele deveria começar era no final de Agosto. Como a nossa licença terminaria no início de agosto, a gente pediu para mudar. Conseguimos mudar para o dia 8 de agosto um dia depois do Gael completar 1 ano e um dia depois da gente voltar do Brasil. Assim que mudamos a data achei ótimo mas quando o dia foi chegando começei a achar meio ruim, porque seria muita coisa nova para o Gael. Viagem para o Brasil, encontra uma galera, volta para Noruega, outro fuso horário, aí nem descansou da viagem já começa a adaptação. Pensei, bom vai ser um pouco mais complicado mas vamos que vamos, tem que fazer isso logo, vai ser melhor para ele (assim eu esperava).

Como minha licença estava no final e eu ainda tinha uns dias de férias sobrando, a gente combinou que eu faria a adaptação de fato do Gael na creche. A adaptação aqui, como na maioria dos lugares, é normalmente feita em 3 dias, mas como o processo varia de criança para criança, só o primeiro dia tem um planejamento, os dias seguintes são definidos de acordo com a resposta do bebê.

Chegou o primeiro dia, 8 de Agosto, uma segunda feira. Gael acorda, toma café da manhã, brinca um pouco, dorme, acorda, almoça e a gente sai correndo, porque o horário combinado era ao meio dia e o almoço demorou um pouco mais do que deveria. Nesse primeiro dia o combinado era que Gael deveria ficar por duas horas na creche acompanhado de um dos pais. Chegando lá o Gael ficou meio desconfiado, não queria muito papo com nenhum dos pedagogos, ficava grudado em mim o tempo todo. Em alguns momentos ele até chegou mais perto de um ou de outro mas eu tinha que ficar dentro do campo de visão dele. Teve um momento que ele estava um pouco mais afastado eu até tentei em sair um pouquinho para um dos pedagogos me mostrar alguma coisa, mas não deu certo. Foi eu chegar na porta que ele abriu o berreiro. As duas horas passaram, o Gael estava cansando daquilo tudo e como estava na hora do lanche, e também como eu não tinha levado nada para o Gael comer, achei melhor ir embora.

No segundo dia o combinado era que faríamos igual, duas horas sendo que eu o acompanharia o tempo todo. Nesse dia o Gael resolveu acordar mais tarde um pouco e a soneca da manhã acabou indo até mais tarde. Como a gente passou da hora, eu liguei e avisei que a gente iria um pouco mais tarde, chegaria lá por volta de 13:00. Chegamos lá o Gael ficou um pouco mais tranquilo, eu ainda não podia sair muito de perto mas ele se aventurou um pouco mais pela sala e estava interagindo um pouco mais com os pedagogos. Ele brincava com os pedagogos desde que eu estivesse junto, até tentei sair um pouco de perto para ver o que aconteceria, mas ele logo vinha me procurar. Às 14:00 era a hora do lanche e todos sentaram à mesa, como eu saí correndo de novo, não tive tempo de preparar nada e por acaso também não tinha nada na bolsa do carrinho. Eu achei que de repente era melhor ir embora, mas eles arrumaram um pãozinho para o Gael comer e se sentar junto com todo mundo.

O lanche é uma festa, todo mundo sentado junto, cada um com a sua lancheira na frente. Não tem muita assistência, são 12 crianças e 4 adultos. As crianças vão comendo como bem entenderem e é claro que tem horas que um não quer comer mais e começa a cantar e a outra que estava do lado comendo resolve cantar também, enfim uma bagunça. O Gael até comeu o pãozinho, mas estava mais interessado em descobrir o que os amiguinhos do lado tinham dentro da lancheira. Algumas vezes eu tive que tirar alguma coisa da mão dele, hehehehe. Enfim depois do lanche, como o tempo estava agradável, era hora de brincar do lado de fora. Levei o Gael para fora e tudo que ele queria fazer era andar segurando na minha mão. Nesse dia eu tentei deixar o Gael no colo de uma pedagoga, afinal estava preocupado que ele não tinha se separado de mim, e só tinha mais um dia para terminar a adaptação! Mas mesmo eu estando o tempo todo do lado dele, ele não parou de chorar!! Fiquei um pouco preocupado, mas a pedagoga me falou que ele estava indo bem, nessas horas você acaba acreditando em tudo que te falam, mesmo que não te pareça verdade. No fim do dia ficou combinado que deveríamos voltar no dia seguinte a mesma hora, mas que eu deixaria o Gael sozinho lá por um tempo.

Como o Gael ficaria sozinho, nesse dia eu preparei um lanchinho com o que ele mais gosta, biscoitinhos de arroz e um pouco de passas. Chegamos na creche e a pedagoga me falou o seguinte, “na hora que você achar melhor, você fala com o Gael que vai dar uma volta, se despede e sai. Mesmo com ele chorando, você não pode voltar atrás. Quando a gente achar que você tem que voltar a gente te liga.” Nessa hora eu pensei que horas seria melhor, que Isso nunca iria acontecer, mas como tenho que fazer vou fazer logo. Peguei o Gael, dei uns beijinhos, falei que ia dar uma volta e saí. Na hora que a pedagoga pegou ele no colo, ele chorou um montão!! De cortar o coração, acho que foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz, porque era um choro bem desesperado. Tentei me convencer de que era o melhor para o meu filho, que o choro passaria, e saí. Como nesse dia não tinha almoçado ainda, fui comer alguma coisa. Assim que terminei de comer, uns 40min depois, estava pensando em ligar para ver se estava tudo bem. Até falei com a Carol para ver o que ela achava, ela achou melhor eu esperar um pouco. Quando deu mais ou menos uma hora, eu já estava quase na porta da creche. Liguei e perguntei se poderia voltar. Eles disseram que sim, que já estava na hora. Voltei rapidinho.

Chegando lá, dei um olhada pela janela e Gael estava sentado no colo da pedagoga, com uma carinha de triste, com um biscoitinho de arroz em cada mão, comendo bem devagar!! Corri para entrar na sala e assim que Gael me viu começou a chorar, mas foi só eu pegar ele no colo que ficou bem e alegre e passou a devorar os biscoitinhos na velocidade usual. Assim terminou o terceiro dia, e a pedagoga me disse que ele foi super bem, ficou um pouco triste depois que eu saí, mas que estava tudo bem e que era assim mesmo, e que no dia seguinte poderia deixar ele o dia quase todo. Mas de preferência um dia mais curto entre 9:00 e 14:30 no máximo.

E na quinta-feira, quarto dia do Gael na creche ele ficou o dia quase todo. A entrega foi dificil e sofrida, o Gael chorou bastante, mas quando a gente foi pegar ele, os pedagogos falaram que ele tinha ficado trisitinho mas que tinha interagido um pouco com as outras crianças. O pior desse dia foi que ele não dormiu nada!! Assim que eu o peguei, ele estava com uma cara de cansado e foi sentar no carrinho e menos de 5 minutos estava apagadão, dormiu mais de uma hora direto no carrinho.

Assim os dias foram passando e o Gael ficando cada vez mais confortável na creche. Na semana seguinte ele já ficou o dia todo e já estava dormindo. E alguns dias depois ele já nem estava chorando mais quando a gente deixava ele, mas como com bebê as coisas não são lineares, ainda temos uns dias de choro para acalentar os corações dos pais.