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Ser pai e mãe é jogar sem treinar

Já ouvi muitas pessoas dizendo que não estavam prontas para serem pais, da minha parte posso dizer que sempre estive, já que sabia que nunca estaria pronto, e também porque a vontade de ser pai sempre foi grande.
Há um tempo atrás vi uma reportagem sobre um nadador que não “perdia” tempo treinando como os outros nadadores, seus treinos eram  como se estivesse competindo, e neste ritmo frenético treinava apenas poucas vezes na semana e mesmo assim mantinha um alto desempenho.
Tom Basket
Hoje relaciono a paternidade com esse modelo, treino não funciona. Veja só:
  • Nunca vi ninguém treinar para de repente acordar de duas em duas horas ao longo da noite durante semanas, meses…
  • Ninguém se prepara para não deixar roupa suja acumular (porque não há espaço para colocar tanta roupa de bebê, então lavar a roupa tem que ser constante);
  • Se não for por muita disciplina, não deixar o lixo acumular nem um dia (porque as fraldas sujas fedem e o lixo tem que ser descartado todo dia;
  • Treinar para fazer comida todo dia, já que quando o bebê cresce e você quer tentar uma alimentação melhor, fazer comida é obrigação, acabou a moleza de “mexido (arroz+feijão+ovo)” ou de sanduíche quando dava preguiça de cozinhar;
  • Aquela preparação para deixar de descansar depois do almoço nos finais de semana;
  • Trainar para deixar de ler as mensagens, verificar os e-mails etc.
Em resumo: não existe quem se prepare para isso, é sair da vida mansa e entrar no ritmo frenético quando de um dia pro outro você recebe a informação que pode deixar o hospital e levar o seu pacotinho de surpresas para casa. Aquela coisa de quando alguém vê um pai trocando fralda e faz uma piada sobre estar preparado perde totalmente o sentido já que trocar fraldas passa ser fácil demais perante aos outros desafios como a atenção constante que um bebê pede, esse sim é um dos treinamentos difíceis.
A vida do modo que era antes tem seu fim para que comece uma vida nova da qual não tem como voltar atrás para treinar e se preparar. A gente está ali todo dia na marca do pênalti sendo pressionado para fazer o gol. Depois que o tempo passa a gente começa a aprender e sente-se preparado para continuar no jogo, mas obviamente já levou muitas faltas e dribles.

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