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Paternidade e aprendizado com a Noruega

Após três anos morando na Noruega e depois do nascimento do Tom, passar férias no Brasil é algo impactante ao entrar em contato com a realidade da paternidade que considero ser relativamente a mesma existente em quase todos lugares no mundo. O tão invejado sistema desenvolvido norueguês altera completamente o modo de encarar a paternidade quando comparado com o modo no qual estamos acostumados no Brasil.

Como a comparação acaba sendo natural, eu e a Mariana sempre discutíamos sobre o modo de vida familiar na Noruega em relação ao modo brasileiro. O Brasil, país de tamanho de um continente inteiro, nos isola do mundo e pelo desconhecimento nos faz pensar que somos muito diferentes, que somos “muito família” e que os outros não são como nós. O curioso é quando você passa a entender que na Noruega o pai e a mãe estão sempre juntos dos filhos, tendo os dois que cuidar dos filhos por muito mais tempo que na maioria das sociedades do mundo, você começa a visualizar que além do Brasil, lá também eles são muito família e talvez até mais pelo tempo que se fica junto com os filhos.
TomEdu

Quando as pessoas me perguntam o que existe de tão especial na Noruega, costumo resumir a definição no fato do pai e da mãe não terem condições de terceirizarem nem um pouco da criação dos filhos como se pode fazer mundo afora. A custo de mão de obra altíssimo reduz a possibilidade de ter uma baby sitter e impossibilita ter uma babá ou talvez aquela “empregada quase mãe” além do fato dos avós serem ocupados e ativos, não tendo muita disponibilidade para cuidar dos netos. Isso obriga os pais a estarem dedicados o tempo todo ao cuidado dos filhos.
Somado a essa dedicação de tempo que os pais noruegueses tem que dar ao seus filhos, em uma sociedade onde homens e mulheres são tratados de maneira igual, não existe espaço para um dos comentários mais  antiquados que ouvimos diariamente por aí: “- meu marido me ajuda muito a cuidar do(a) filho(a)”, ouvido rotineiramente em muitas famílias. Na sociedade brasileira essa frase é extremamente comum para nós cegos, que aprendemos a achar ótimo quando os pais ajudam as mulheres. Isso me leva a observar que quando as mulheres forem tratadas como iguais e principalmente não forem dependentes financeiramente dos homens, surpresa, mas acabou o discurso de ajuda! Acordar cedo, preparar o café da manhã dos pequenos, sair pra passear, preparar a comida, dar a comida, trocar fraldas, lavar a roupa, dar banho, levar pra escola entre outras tarefas comuns na vida de uma criança é de total responsabilidade do pai também.
2015TomMonth8-14
Infelizmente tentar realmente assumir o papel de responsável junto com a mãe no Brasil acaba revelando que como a sociedade é moldada pelo seu comportamento, não é possível encontrar lugares para trocar fralda de bebê em banheiro masculino, trocar fralda é só no banheiro feminino, mesmo em restaurantes e shoppings sejam caros ou baratos, do Leme ao Pontal, afinal quem troca fralda é a mãe, e o pai continua tranquilo conversando…

4 thoughts on “Paternidade e aprendizado com a Noruega

  1. Muito bacana o seu relato Bellei, eu e meu irmãos mesmo aqui no Brasil devido a uma distinta realidade fomos “criados” integralmente pelo nossos pais, sem terceirização. E com forte presença do nosso pai em casa. Acho super importante esse modelo, pois é o que realmente nos torna família em todos momentos da vida. Parabéns brow! E felicidades pra toda sua família. Abraço!

  2. Adoro os textos do mama connection… Esse compartilhamento de experiências é muito bacana. Parabéns a vocês, incluindo o pequeno.

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